terça-feira, 15 de abril de 2008

Frida - DVD

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, conhecida como Frida Kahlo, pintora mexicana revolucionária. Frida usou tintas fortes para estampar em suas telas, na maioria auto-retratos, uma vida tumultuada por dores físicas e dramas emocionais. Aos seis anos contraiu poliomielite (paralisia infantil) e permaneceu um longo tempo de cama. Recuperou-se, mas sua perna direita ficou afetada. Teve de conviver com um pé atrofiado e uma perna mais fina que a outra.

Vítima de um terrível acidente que a prendeu sob um colete de gesso por toda a vida, a dor de Frida foi retratada em sua pintura de forma a marcar sua obra. Os auto-retratos e as representações de cenas do hospital ou de procedimentos médicos foram retratados de forma a fazer o observador partilhar da sua dor.

Há momentos no filme que é totalmente surreal, com quando a Frida sofre o acidente de ônibus e vai para o hospital, é como se ela sonhasse com médico esqueletos num lugar escuro com um ar “pontudo” (pontudo por causa das agulhas, estiletes e outros instrumentos utilizados pelos médico para um procedimento cirúrgico). Outra cena muito interessante são imagens construídas como se fossem recortes de fotos preto e branco de cidades por onde Frida viajou com seu marido, compondo assim uma colagem e uma animação. O único destaque é a personagem principal e o marido em colorido, o resto é preto e branco. Outros momentos que chamam muita atenção no filme são quando pensamos que estamos vendo uma pintura da autora estática, mas quando menos se espera essa imagem se movimenta, como exemplo: o momento de seu casamento, uma em que ela está vestida de homem e outra no momento de sua morte.

Video de algumas cenas:

http://youtube.com/watch?v=E6K1KP03Eko&feature=related

Frida Kahlo conciliava um trabalho de tom pessoal, mas que não abria mão de influências externas. “Suas obras são muito originais, mas ela não estava alheia ao que se passava no mundo, como o cubismo, em Paris, e, claro, a obra de muralistas mexicanos, como seu próprio marido”.O apelo universal de Frida se deve ao fato de que “suas pinturas trazem influências do renascimento europeu. Além disso, podemos compartilhar de sua dor, que é muito forte”.Frida possui até laços religiosos que a aproximam de seu país.”Sua obra traz muitas semelhanças com a arte da Polônia e dos países bálticos, devido a uma influência comum do imaginário católico. México, Espanha e Polônia possuem uma simbologia religosa muito rica, e Frida utiliza esses símbolos de maneira fantástica”.

Os ângulos do filme são muito bons, sempre com imagens fechadas e escuras, mostrando assim um sentimento de peso e uma vida complicada da personagem. Apenas num dado momento, em uma cena, podemos desfrutar de um “extra-campo” (quando Frida aborda seu marido transando com sua própria irmã, num momento muito curto). Muita música mexicana, trilha sonora em perfeita harmonia com imagens e cenas. As cenas muito fortes como a do acidente de Kahlo, foi destacada em câmera lenta, fazendo assim uma composição em contraste, tudo escuro (madeira e destroços do ônibus) e a cor iluminada da roupa, ouro em pó e sangue no corpo da artista.

SURREALISMO NO FILME:

O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Na maior parte do filme, além de contar como foi a hi
stória de vida de Frida, mostra muito sobre a única liberdade que a artista encontra em sua vida, presa em muitas dores tanto físicas como sentimentais, através de obras surrealistas ela se expressa livremente.
Uma das pinturas que aparecem no filme.


Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primariamente na França dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa.
Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente. Na maioria dos quadros que mostram o filme, podemos observar claramente o sentimento de Frida.
O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. No entanto, se os dadaístas propunham apenas a destruição, os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova, a ser organizada em outras bases. Frida era uma revolucionária e era contra a “moda e propaganda” da sociedade. Os surrealistas pretendiam, dessa forma, atingir uma outra realidade, situada no plano do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos, embora sejam muito mais radicais.

Eu adorei o filme de Frida, primeiro por conta da história de vida da arista e seu caráter que chama muito atenção, tudo que ela passa e o modo como se expressa em suas obras. Encontrei surrealismo tanto no filme como nos próprios quadros da pintora. Política, revolução e patriotismo também são marcantes no filme. No ponto de vista que eu tenho de design, comunicação visual entre outros, vejo que o filme possui cenas de surrealismo e colagens, o tempo todo tem características mexicanas em seu roteiro, como música, tango, tequila, figurino e cores. Sempre ambientes fechados e escuros dando a entender sofrimento, doença, opressão e luta para sair de tudo isso.

Fernanda Dutra

Um comentário:

Junia Meirelles disse...

ESte post valeu 2 horas de atividades complementares para vc.