sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sin City - A cidade do pecado.

Sin City – A cidade do Pecado:

Nada mais é que o movimento dos quadrinhos criados pelo mestre Frank Miller. São 124 minutos de pura inovação, não de efeitos especiais (mesmo que estes estejam lá e são utilizados de forma incrivelmente nova) e sim da forma como o filme é feito. A melhor representação de quadrinhos que o cinema já viu. Não sendo uma “adaptação”. O filme é uma transposição. Rodriguez usou os desenhos de Miller não só como storyboard e visualizarão de cena mas como a própria história isso dá um look ao filme como nunca foi visto no cinema.


Graphic novel Sin City:

Um clássico noir de Miller sobre uma cidade corrupta onde todos andam armados, a polícia é quase figurativa, prostitutas dão as cartas e políticos de renome acobertam crimes. .Até então, nada de novo em um filme noir da década de50. Será? Não! O que o diretor Robert Rodriguez fez foi transportar integralmente o gibi para a tela de cinema e dar movimento à este, o que é incrível pois nenhum pequeno detalhe é esquecido, chegando-se ao cúmulo de replicar os ângulos apresentados nos quadrinhos.

A história de Sin City não foi adaptada dos quadrinhos para o cinema, e sim transportada diretamente, utilizando os desenhos de Miller como design de cena. As imagens a cima retirei do site oficial do filme para usar como exemplos, é possível comparar um quadrinho com uma cena do filme. O diretor queria ser tão fiel as imagens que dividiu a direção do filme com o próprio criador de Sin City: Miller.

Fotografia:

Pura fotografia cinematográfica. Filme tem sua maioria em preto e branco com toques de outras cores como o vermelho e amarelo quando estes são fundamentais para a cena em si. Além disso, muitas vezes vemos brincadeiras com o branco no estilo silhuetas de forma incrivelmente criativa.

Histórias:

O filme divide-se por três pequenas histórias independentes que ocorre dentro do filme com pequenas ligações entre si. Na primeira delas Bruce Willis, um policial correto e durão está prestes a se aposentar mas ainda tem um caso para resolver, nem que custe sua vida.. A segunda história é sobre Marv (excelentemente interpretado por Mickey Rourke), um brucutu muito forte que tem a noite de sua vida nos braços da bela prostituta Goldie, que acorda morta ao seu lado. Com sede de vingança, Marv percorre a cidade em busca do assassino. A terceira e última é quando o policial, depois de anos na cadeia, é liberto e corre a procura de Nancy, a garotinha que ele salvou, e nisso, todos os personagens nas duas primeiras história se encontram nessa.

Sobre Frank Miller:

Frank Miller juntamente com Alan Moore, é um dos grandes nomes da geração de 80 que revolucionou os quadrinhos. Com enredos que transcendiam super-poderes, Miller trabalha sempre muito com o psicológico dos personagens mais que seus poderes propriamente ditos. Seu trabalho com Batman no Graphic Novel Cavaleiro das Trevas é considerado um marco que tirou os quadrinhos o estigma de história infantil ao mostrar um futuro alternativo para um Batman com 50 anos em uma Gotham Ciy decadente que ainda precisa de seu maior protetor, mesmo este já tendo anunciado sua aposentadoria.

Além desse antológico trabalho com Batman, Frank Miller revitalizou (para não dizer que realmente o apresentou ao mundo) Demolidor e ainda revitalizou a origem do Homem-Morcego com Batman Ano Um além de dar uma personalidade ao mutante Wolverine em uma mini-série.. Com tanto sucesso nos quadrinhos, nada mais natural que Miller fosse para o cinema. Acontece que sua primeira experiência foi deveras traumática; ele é o responsável pelo script do horroroso Robocop 2. Responsável em termos pois o script que ele entregou foi bem modificado pelo estúdio mas ainda assim seu nome consta lá. Com isso, Miller tinha jurado que nenhum de seus quadrinhos iriam para a tela grande pois eles seriam totalmente modificados sem seu devido consentimento.

A Imagem visual do cinema noir:

O cinema noir é uma expressão cinematográfica que nasce dentro dos estúdios de Hollywood entre 1940/50 e que nada deve ao modelo clássico das grandes produções. Produção B, portanto realizada com poucos recursos, é um cinema no qual encontramos, de forma bem marcada, os traços da organização da linguagem que estão muito distante da idealização e harmonia característicos do cinemão institucional.

De um modo geral, os argumentos dos filmes noir são originados de um tipo peculiar de literatura policial americana. O cinema noir traz fortes influências do Cinema expressionista alemão que sempre foi admirado por artistas de Hollywood. Por exemplo, as obras de Murnau foram fortes referências estéticas para o cinema de terror americano na década de 20. Mas não foi só uma admiração por esse cinema que o fez presente nos filmes noir, mas a presença de diretores com alguma passagem pelo expressionismo alemão, como Fritz Lang, Otto Preminger e outros que chegaram da Europa fugindo do Nazismo.

Um dos primeiros pontos entre os dois cinemas vem das correntes filosóficas que os marcaram, como a filosofia de Nietszsche acrescentando ainda o existencialismo de Jean-Paul Sartre. Em ambos os temas giram em torno de pessoas atormentadas, escritores, detetives, bandidos e outras que estão à margem da sociedade. São pessoas perdidas no mundo e movidas por fatalidades que direcionam as suas vidas como se os seus destinos fossem traçados por forças misteriosas e eles apenas as seguissem. São estrangeiros dentro deles mesmos, não conseguem dirigir o seu próprio destino e possuem um passado pesado que os persegue.

Uma outra marca do cinema expressionista na estética visual noir é o claro/escuro. A luz nunca é uniforme nesses filmes, contrastes e sobreposições são explícitas e marcas dos espaços, interferindo em suas configurações. Ambientes fechados e noturnos (clubes, bares e cafés, ambientes de lutas livres) cheios de gente justificam semanticamente os contrastes e nos diurnos as persianas e cortinas deixam entrar alguns feixes de luz, acentuando dramaturgicamente a história. A luz lateral e contornos revelam o desenho das cidades ou do espaço onde localizam as ações, traduzindo-o como sinistros. Ou revelam ainda as sombras dos personagens, enquanto estes estão sempre no espaço off.

Os ângulos baixos da câmera situam os personagens fora de um apoio ou dentro de um espaço sem bordas (herança pictórica). São comuns nos filmes as ruas molhadas e sujas da cidade, os becos e escadas, multidões de pedestres, luzes de néon, fachadas de lojas e sons sinistros. Outras cenas dos interiores das casas mostram o teto para criar sensações de claustrofobia.

Minha opinião:

Será que Sin City não tem nenhum erro ou problema? Assim aparente não, mas seu estilo não é de fácil entendimento. Por serem três histórias relativamente independentes, a história não possui um fim definido. Se não prestar muita atenção do começo ao fim do filme, podemos perder a narrativa tornando ele um filme chato e lento de se assistir. O visual simplesmente é de deixar vidrado qualquer pessoa. O filme leva ao pensamento (narração em off). Tanto é que eu fiquei umas duas horas pensando nas cenas e nos personagens depois que vi. O longa metragem simplesmente prende a atenção de quem assisti. É um filme muito violento na minha opinião, me deu até medo (com cenas de canibalismo por exemplo e torturas). Para se ter uma idéia, Marv, um dos protagonistas da história, é esquizofrênico e tem prazer em torturar as pessoas, além disso ao longo do filme tem duas castrações. Logicamente pelo fato do sangue ser branco em algumas cenas ameniza o impacto mas não deixa de meio chocante ver mutilações à machadas.

Conclusão:

Sin City é um filme fora do comum. Sendo inovador, a tendência de gerar opiniões polarizadas é grande. Ele é sublime, ou é um clássico ou é um lixo. Para quem ama história em quadrinhos esse é um filme criativo e inovador. Vale muito a pena assistir.

2 comentários:

Junia Meirelles disse...

Ok. Este post valeu 2 horas de atividades complementares para você.

Anônimo disse...

Hum... Você estragou o seu texto ao narrar a história do filme, porque não soube contá-la devidamente. Tá, foi apenas um detalhe em meio a tanta informação. É que ficou parecendo que você não viu o filme, já que não enxergou a terceira história direito... ¬¬
Mas sobre o film noir, o texto ficou muito bom, com alguns exemplos que me foram úteis.
Adoro esse filme, e nunca tinha ouvido falar de Sin City. Não sei se o sangue branco ameniza o terror das cenas, não. Estou tentando achar uma razão lógica ou mais ou menos lógica para o sangue branco...